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Existencialismo II

Lista de 10 exercícios de Filosofia com gabarito sobre o tema Existencialismo com questões de Vestibulares.





01. (UEA) O homem não está fechado em si mesmo mas presente sempre num universo humano, é isso que chamamos humanismo existencialista. Humanismo, porque recordamos ao homem que não há outro legislador além dele próprio, e que é no abandono que ele decidirá de si.

(Jean-Paul Sartre. O existencialismo é um humanismo, 1973. Adaptado.)

O existencialismo é um humanismo foi, a princípio, uma conferência proferida por Sartre, posteriormente publicada em livro, em 1946. O filósofo resumiu, nesse livro, o conteúdo humanista da sua filosofia, sustentado pela noção que

  1. a existência é definida aprioristicamente, os homens nascem no interior de um universo social que determinará inflexivelmente a sua vida.
  2. a fraternidade entre os homens, fortalecida nas ações religiosas de que participam, é a justificativa e a razão de sua existência.
  3. o homem, ao nascer, recebe como herança gratuita os tesouros culturais e materiais criados pela humanidade, a qual deve ser cultuada como uma divindade.
  4. o sentido da vida depende da vida de cada um, depende do sentido que os homens dão a ela pelas escolhas que fazem.
  5. as decisões dos seres humanos ganham um significado humanista apenas quando forem guiadas pelo instinto e pelo sentimento de solidariedade.

02. (UEA) O existencialismo foi um movimento filosófico do século XX. Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty escreveram e publicaram livros sobre o existencialismo. Embora houvesse diferenças entre pensamentos e pensadores existencialistas, um princípio filosófico lhes era comum, segundo o qual

  1. o homem está no topo da vida animada, depois de ter passado por um longo processo de transformação e de evolução.
  2. o homem alcança a sabedoria quando adquire o conhecimento das leis que regem a sua existência.
  3. o prazer é o bem mais soberano do homem; os prazeres naturais e necessários à existência devem ser favorecidos.
  4. a existência precede a essência; o homem é o que ele faz de si mesmo por meio de seus atos.
  5. o homem existe porque pensa; ele é, desde o início de sua existência, um ser caracterizado pela racionalidade.

03. (UEMA) O tema da liberdade é discutido por muitos filósofos. No existencialismo francês, Jean-Paul Sartre, particularmente, compreende a liberdade enquanto escolha incondicional.

Entre as afirmações abaixo, a única que está de acordo com essa concepção de liberdade humana é:

  1. O homem primeiramente tem uma essência divinizada e depois uma existência manifestada na história de sua vida.
  2. O homem não é mais do que aquilo que a sociedade faz com ele.
  3. O homem primeiramente existe porque sendo consciente é um ser-em-si e para-o-outro.
  4. O homem é determinado por uma essência superior, que é o Deus da existência, pois, primeiramente não é nada.
  5. O homem primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer.

04. (UFU) Leia o texto abaixo

“A doutrina que lhes estou apresentando é justamente o contrário do quietismo, visto que ela afirma: a realidade não existe a não ser na ação; aliás, vai longe ainda, acrescentando: o homem nada mais é do que o seu projeto; só existe na medida em que se realiza; não é nada além do conjunto de seus atos, nada mais que sua vida”.

SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987, Col. Os Pensadores. p. 13.

Tomando o texto acima como referência, assinale a alternativa correta.

  1. A frase “a realidade não existe a não ser na ação” significa que é o homem aquele que cria toda a realidade possível e imaginável, que o homem é o ser que cria o mundo todo a partir de sua existência.
  2. O existencialismo sartreano é uma espécie muito particular de quietismo, porque afirma que o homem é livre a partir do momento em que deixa a decisão sobre a própria existência nas mãos dos outros.
  3. Quando Sartre afirma que o homem “nada mais é do que a sua vida”, ele está dizendo que todos são iguais na indeterminação de seus atos e que, portanto, é indiferente ser responsável ou não pelas ações praticadas.
  4. O existencialismo de Sartre é o contrário do quietismo, porque defende que a vida humana é feita a partir das ações e escolhas que cada ser humano realiza juntamente com outros homens. A vida do homem é um projeto que se realiza em plena liberdade.

05. (UENP) Leia o texto a seguir.

Que significará, aqui, o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber. O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo.

(SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p.12.)

Segundo o conhecimento sobre as ideias de Sartre, assinale a alternativa correta.

  1. A essência humana é que define a sua existência.
  2. Deus não existe e, por isso, a liberdade é absoluta.
  3. Deus existe e por isso temos liberdade.
  4. O existencialismo centraliza sua filosofia na religiosidade.
  5. O ser humano é definido antes do seu nascimento.

06. (UFU) Para J.P. Sartre, o conceito de ― "para-si" diz respeito

  1. a uma criação divina, cujo agir depende de princípio metafísico regulador.
  2. apenas à pura manutenção do ser pleno, completo, da totalidade no seio do que é.
  3. ao nada, na medida em que ele se especifica pelo poder nadificador que o constitui.
  4. a algo empastado de si mesmo e, por isso, não se pode realizar, não se pode afirmar, porque está cheio, completo.

07. (UFSJ) Na obra “O existencialismo é um humanismo”, Jean-Paul Sartre intenta

  1. desenvolver a ideia de que o existencialismo é definido pela livre escolha e valores inventados pelo sujeito a partir dos quais ele exerce a sua natureza humana essencial.
  2. mostrar o significado ético do existencialismo.
  3. criticar toda a discriminação imposta pelo cristianismo, através do discurso, à condição de ser inexorável, característica natural dos homens.
  4. delinear os aspectos da sensação e da imaginação humanas que só se fortalecem a partir do exercício da liberdade.

08. (Ufu) Jean-Paul Sartre (1905 – 1980) encontrou um motivo de reflexão sobre a liberdade na obra de Dostoiévski Os irmãos Karamazov: “se Deus não existe, tudo é permitido”. A partir daí teceu considerações sobre esse tema e algumas consequências que dele podem ser derivadas.

[...] tudo é permitido se Deus não existe e, por conseguinte, o homem está desamparado porque não encontra nele próprio nem fora dele nada a que se agarrar. Para começar, não encontra desculpas. [...] Estamos sós, sem desculpas. É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 9 (coleção “Os Pensadores”).

Com base em seus conhecimentos sobre a filosofia existencialista de Sartre e nas informações acima, assinale a alternativa correta.

  1. Porque entende que somos livres, Sartre defendeu uma filosofia não engajada, isto é, uma filosofia que não deve se importar com os acontecimentos sociais e políticos de seu tempo.
  2. Para Sartre, a angústia decorre da falta de fé em Deus e não do fato de sermos absolutamente livres ou como ele afirma “o homem está condenado a ser livre”.
  3. As ações humanas são o reflexo do equilíbrio entre o livre-arbítrio e os planos que Deus estabelece para cada pessoa, consistindo nisto a verdadeira liberdade.
  4. Para Sartre, as ações das pessoas dependem somente das escolhas e dos projetos que cada um faz livremente durante a vida e não da suposição da existência e, portanto, das ordens de Deus.

09. (UFSJ) “Subjetividade” e “intersubjetividade” são conceitos com os quais Sartre pontua o seu existencialismo. Nesse contexto, tais conceitos revelam que

  1. o cogito cartesiano desabou sobre o existencialismo na mesma proporção com que a virtu socrática precipitou-se sobre o materialismo dialético do século XX.
  2. “Penso, logo existo” deve ser o ponto de partida de qualquer filosofia. Tal subjetividade faz com que o Homem não seja visto como objeto, o que lhe confere verdadeira dignidade. A descoberta de si mesmo o leva, necessariamente, à descoberta do outro, implicando uma intersubjetividade.
  3. o Homem é dado, é unidade, é união e é intersubjetividade; portanto, a sua existência é agregadora e desapegada da tão apregoada subjetividade clássica, por isso mesmo tão crucial para Sartre.
  4. não há um só lampejo de subjetividade que não tenha se reinaugurado na intersubjetividade, isto é, na idealidade que instrui as prerrogativas para se instalarem as escolhas do sujeito, definindo-o.

10. (Unb) Entramos no quarto. Encurvada em semicírculo sobre o leito, outra criatura que não a minha avó, uma espécie de animal que se tivesse disfarçado com os seus cabelos e deitado sob os seus lençóis, arquejava, gemia, sacudia as cobertas com as suas convulsões. As pálpebras estavam fechadas, e era porque fechavam mal, antes que porque se abrissem, que deixavam ver um canto da pupila, velado, remeloso, refletindo a obscuridade de uma visão orgânica e de um sofrimento interno.

Quando meus lábios a tocaram, as mãos de minha avó agitaram-se, ela foi percorrida inteira por um longo frêmito, ou reflexo, ou porque certas afeições possuam a sua hiperestesia, que 2reconhece, através do véu da inconsciência, aquilo que elas quase não têm necessidade dos sentidos para querer. Súbito, minha avó ergueu-se a meio, fez um esforço violento, como alguém que defende a própria vida. Françoise não pôde resistir, ao vê-lo, e rompeu em soluços. Lembrando-me do que o médico havia dito, quis fazê-la sair do quarto. Nesse momento, minha avó abriu os olhos. Precipitei-me sobre Françoise para lhe ocultar o pranto, enquanto meus pais falassem à enferma. O ruído do oxigênio calara-se, o médico afastou-se do leito. Minha avó estava morta.

A vida, retirando-se, acabava de carregar as desilusões da vida. Um sorriso parecia pousado nos lábios de minha avó. Sobre aquele leito fúnebre, a morte, como o escultor da Idade Média, tinha-a deitado sob a aparência de menina e moça.

Marcel Proust. Em busca do tempo perdido: o caminho de Guermantes. vol. 3, 3ª ed. rev. Trad. Mario Quintana. São Paulo: Globo, 2006, p. 376-7 (com adaptações).

Para Sartre, os seres dividem-se em seres-em-si e seres-parasi. Os seres-em-si não possuem, segundo esse filósofo, consciência, ao passo que os seres-para-si são dotados de uma consciência que lhes possibilita constituírem-se sempre como projeto, pelo qual dirigem seu presente a partir de sua liberdade. Com base na divisão sartreana entre seres-em-si e seres-para-si e suas relações com a temporalidade, a vida e a morte, verifica-se, na passagem do texto de Proust apresentada, que

  1. a personagem acamada, a despeito de ser, quando ainda viva, biologicamente um ser humano, não é mais um ser-para-si na situação narrada.
  2. a transição do ser-para-si ao ser-em-si só ocorre, efetivamente, com a morte biológica da personagem acamada, uma vez que a temporalidade do ser-em-si é a de um eterno presente.
  3. a noção de vida e a de morte que perpassam a descrição do estado da personagem acamada ocupam, respectivamente, os lugares semânticos de ser-para-si e ser-em-si.
  4. a proposição de Sartre de que “o ser humano não pode não ser livre” estabelece uma relação de subordinação entre sua concepção do que é um ser humano e a concepção biológica desse conceito.