Home > Banco de Questões > Sociologia e Filosofia > Filosofia Antiga >

Escola de Frankfurt I

Lista de 10 exercícios de Filosofia com gabarito sobre o tema Escola de Frankfurt com questões de Vestibulares.





01. (UEL) Leia o texto a seguir.

À medida que as obras de arte se emancipam do seu uso cultual, aumentam as ocasiões para que elas sejam expostas. A exponibilidade de um busto [...] é maior que de uma estátua divina, que tem sua sede fixa no interior do templo. [...] a preponderância absoluta conferida hoje a seu valor de exposição atribui-lhe funções inteiramente novas, entre as quais a “artística”, a única de que temos consciência, talvez se revele mais tarde como rudimentar.

BENJAMIN, Walter. “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica (Primeira versão)”. In: Obras escolhidas I. Trad. Sérgio Paulo Rouanet, 8ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2012. p. 187-188.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria benjaminiana da reprodutibilidade técnica e do valor cultual e de exposição da obra de arte, assinale a alternativa correta.

  1. O valor de exposição da obra de arte reforça os laços sociais, na medida em que a exposição intensifica a coesão social, possibilitando, democraticamente, o acesso à obra.
  2. A mudança do valor de culto para o valor da exposição da obra de arte revela transformações nas quais esta passa a ser concebida a partir da esfera pública.
  3. O valor de culto da obra de arte expressa a gradativa desvinculação entre o humano e o sagrado, considerando que a obra substitui a relação direta do humano com o sagrado.
  4. O valor material atribuído a uma obra de arte é constituído pela persistência de um valor de culto na exposição, evidenciado na “aura” que paira sobre as grandes obras, as chamadas obras clássicas.
  5. O elemento comum entre o valor de culto e o valor de exposição da obra de arte é o reconhecimento de que a função “artística” é a sua dimensão mais importante.

02. (UNESP) Uma obra de arte pode denominar-se revolucionária se, em virtude da transformação estética, representar, no destino exemplar dos indivíduos, a predominante ausência de liberdade, rompendo assim com a realidade social mistificada e petrificada e abrindo os horizontes da libertação. Esta tese implica que a literatura não é revolucionária por ser escrita para a classe trabalhadora ou para a “revolução”. O potencial político da arte baseia-se apenas na sua própria dimensão estética. A sua relação com a práxis (ação política) é inexoravelmente indireta e frustrante. Quanto mais imediatamente política for a obra de arte, mais reduzidos são seus objetivos de transcendência e mudança. Nesse sentido, pode haver mais potencial subversivo na poesia de Baudelaire e Rimbaud que nas peças didáticas de Brecht.

(Herbert Marcuse. A dimensão estética, s/d.)

Segundo o filósofo, a dimensão estética da obra de arte caracteriza-se por

  1. apresentar conteúdos ideológicos de caráter conservador da ordem burguesa.
  2. comprometer-se com as necessidades de entretenimento dos consumidores culturais.
  3. estabelecer uma relação de independência frente à conjuntura política imediata.
  4. subordinar-se aos imperativos políticos e materiais de transformação da sociedade.
  5. contemplar as aspirações políticas das populações economicamente excluídas.

03. (UEL) Texto III

A sociedade contemporânea convive com os riscos produzidos por ela mesma e com a frustração de, muitas vezes, não saber distinguir entre catástrofes que possuem causas essencialmente naturais e aquelas ocasionadas a partir da relação que o homem trava com a natureza. Os custos ambientais e humanos do desenvolvimento da técnica, da ciência e da indústria passam a ser questionados a partir de desastres contemporâneos como AIDS, Chernobyl, aquecimento global, contaminação da água e de alimentos pelos agrotóxicos, entre outros.

(Adaptado de: LIMA, M. L. M. A ciência, a crise ambiental e a sociedade de risco. Senatus. v.4. n.1. nov. 2005. p.42-47.)

Leia o texto a seguir.

O mito converte-se em esclarecimento e a natureza em mera objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de seu poder é a alienação daquilo sobre o que exercem o poder. O esclarecimento comporta-se com as coisas como o ditador se comporta com os homens. Este os conhece na medida em que pode manipulá-los. O homem de ciência conhece as coisas na medida em que pode fazê-las. É assim que seu em-si torna para- -ele. Nessa metamorfose, a essência das coisas revela-se como sempre a mesma, como substrato de dominação.

(ADORNO; HORKHEIMER. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p.21.)

O uso da razão para fins irracionais criou, principalmente no século XX, uma desconfiança crônica a respeito da sua natureza e dos seus usos. Com base nos conhecimentos sobre a racionalidade instrumental presente no texto, assinale a alternativa correta.

  1. Tanto a dominação da natureza quanto a alienação do homem são o preço inevitável a ser pago pela razão, pois o conhecimento ocorre quando o mundo e o homem se tornam objetos.
  2. O esclarecimento, na medida em que efetiva a superação do mito, atualiza a essência e o próprio destino do homem, que consiste em transformar a natureza, produzindo objetos que tornam a vida mais confortável.
  3. Mito e razão são forças primitivas antagônicas de natureza distinta: o mito caracteriza-se pela imaginação, fantasia e falta de objetividade; já a razão, pela objetividade, por cujos processos de formalização a certeza é instituída.
  4. Dada a dimensão puramente formal da ciência, os aspectos práticos do mundo da vida lhe são alheios, razão pela qual os usos com vistas à dominação são estranhos à sua essência, resultando na dominação de um mau uso prático.
  5. A instrumentalização da razão e a objetivação da natureza são dois momentos de um mesmo processo, cujo resultado consiste em conceber o homem e o mundo como objetos disponíveis à manipulação e ao exercício de poder.

04. (Unioeste) Em seu artigo Max Horkheimer: teoria crítica e materialismo interdisciplinar (2011), o filósofo Luís Sérgio Repa afirma que a teoria crítica procurou reintegrar a razão pelas promessas não cumpridas pelo Iluminismo. Entre os pensadores ligados a Escola de Frankfurt, Max Horkheimer se destacou por ter sistematizado e teorizado a teoria crítica, além de ter formulado um programa de pesquisa. Entre os principais fundamentos teóricos da teoria crítica frankfurtiana, assinale a alternativa correta.

  1. O grande mérito da teoria crítica foi separar teoria e prática e de considerar a realidade social distante do seu devir histórico.
  2. A teoria crítica faz uma crítica das noções de teoria e práxis, suprimindo a separação entre o ser e o dever, tão caras ao marxismo e ao ativismo político.
  3. Segundo a teoria crítica de Horkheimer, o pesquisador é neutro em relação à sociedade que estuda e critica, ou seja, a teoria critica separa o sujeito do objeto do conhecimento.
  4. A teoria crítica tem como principal característica não se preocupar com os problemas sociais do tempo presente e por demonstrar desinteresse pela emancipação humana diante das estruturas econômicas, políticas e culturais de seu tempo.
  5. A ideia de emancipação humana e de um comportamento critico em relação à sociedade e à cultura contemporânea não é uma preocupação da teoria critica, pois ela não anseia uma sociedade emancipada por um interesse universalista.

05. (UENP) Walter Benjamin, filósofo da Escola de Frankfurt, quando discute a obra de arte e sua aura, afirma:

Poder-se-ia defini-la como a única aparição de uma realidade longínqua, por mais próxima que esteja. Num fim de tarde de verão, caso se siga com os olhos uma linha de montanhas ao longo do horizonte ou a de um galho, cuja sombra pousa sobre o nosso estado contemplativo, sente-se a aura destas montanhas, desse galho. Tal evocação permite entender, sem dificuldades, os fatores sociais que provocaram a decadência atual da aura. Liga-se ela a duas circunstâncias, uma e outra correlatas com o papel crescente desempenhado pelas massas na vida presente. Encontramos hoje, com efeito, dentro das massas, duas tendências igualmente fortes: exigem, de um lado, que as coisas se lhe tornem, tanto humana como espacialmente, “mais próximas”, de outro lado, acolhendo as reproduções, tendem a depreciar o caráter daquilo que é dado apenas uma vez.

(BENJAMIN, W. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. São Paulo: Abril Cultural, 1975. p.15.)

Com base no texto, assinale a alternativa correta.

  1. A discussão sobre arte e aura, no referido texto, se refere a um problema religioso.
  2. A aura não significa a singularidade da obra de arte.
  3. A obra de arte possui aura porque possui as seguintes características: é única, irrepetível, duradoura.
  4. O declínio da aura não tem relação com as transformações sociais e econômicas.
  5. Com o aumento da produção e apropriação artística, aumentou-se também o valor da aura na obra de arte.

06. (Unicentro) O conceito de Theodor Adorno (1903-1969), que define a forma da produção cultural na sociedade capitalista e sua capacidade de transformar seres humanos em meros consumidores de seus produtos, é denominado

  1. Marketing direto.
  2. Publicidade e propaganda.
  3. Cultura de massa.
  4. Indústria cultural.
  5. Conhecimento tecnológico.

07. (UFSM) Nas propagandas televisivas é comum a apresentação de produtos de uso doméstico (como sabão em pó ou creme dental) ao lado de cientistas vestindo jalecos brancos. Esse tipo de publicidade promove uma imagem da ciência como um conjunto de leis verdadeiras descobertas por cientistas e válidas eternamente. A teoria da ciência desenvolvida pelo físico e filósofo austríaco Karl Popper contesta essa imagem e caracteriza-se por sustentar que a ciência é um(a)

  1. conjunto de hipóteses corroboradas por testes empíricos.
  2. atividade social regulada pela presença de paradigmas.
  3. conjunto de processos assistemáticos de descoberta.
  4. grupo de crenças não muito mais consistente do que o vodu ou a magia.
  5. conjunto de leis verdadeiras apoiadas em processos de observação e indução.

08. (Unicentro) O movimento intelectual criado por um grupo de filósofos e cientistas sociais de orientação marxista em 1924, na Alemanha, caracterizado pela reflexão crítica sobre a sociedade contemporânea e as teorias que a explicam e que foi fortemente perseguido pelo nazismo, ficou conhecido como

  1. Materialismo histórico
  2. Escola dos Annales
  3. Positivismo.
  4. Escola de Frankfurt
  5. Escolástica.

09. (IFPR) Escola de Frankfurt, fundada no pós Primeira Guerra, reuniu os principais pensadores da época, na Alemanha, e se opunha às teorias positivistas dos idealistas clássicos, marcados por forte influência marxista. Os frankfurtianos consideraram, na elaboração de sua teoria, alguns fatores que o próprio Marx não previu, principalmente sobre a superestrutura, isto é, sobre os mecanismo que afetam a personalidade, a família e a autoridade, analisada no contexto da estética e da cultura de massa. Assim, para esses estudiosos, as técnicas de dominação, dependentes do mercado, seriam ditadas pela massificação do conhecimento, das artes e da cultura. A esse respeito, a alternativa que apresenta o nome dado pela Escola de Frankfurt ao fenômeno é:

  1. Indústria de Bens de Capital Cultural.
  2. Indústria Cultural.
  3. Indústria de Bens de Consumo Cultural.
  4. Indústria de Ponta.

10. (UEL) Texto V

Eis aqui, portanto, o princípio de quando se decidiu fazer o homem, e quando se buscou o que devia entrar na carne do homem.

Havia alimentos de todos os tipos. Os animais ensinaram o caminho. E moendo então as espigas amarelas e as espigas brancas, Ixmucaná fez nove bebidas, e destas provieram a força do homem. Isto fizeram os progenitores, Tepeu e Gucumatz, assim chamados.

A seguir decidiram sobre a criação e formação de nossa primeira mãe e pai. De milho amarelo e de milho branco foi feita sua carne; de massa de milho foram feitos seus braços e as pernas do homem. Unicamente massa de milho entrou na carne de nossos pais.

(Adaptado: SUESS, P. Popol Vuh: Mito dos Quiché da Guatemala sobre sua origem do milho e a criação do mundo. In: A conquista espiritual da América Espanhola: 200 documentos – Século XVI. Petrópolis: Vozes, 1992, p. 32-33.)

Texto VI

“Se você é o que você come, e consome comida industrializada, você é milho”, escreveu Michael Pollan no livro O Dilema do Onívoro, lançado este ano no Brasil. Ele estima que 25% da comida industrializada nos EUA contenha milho de alguma forma: do refrigerante, passando pelo Ketchup, até as batatas fritas de uma importante cadeia de fast food – isso se não contarmos vacas e galinhas que são alimentadas quase exclusivamente com o grão. O milho foi escolhido como bola da vez devido ao seu baixo preço de mercado e também porque os EUA produzem mais da metade do milho distribuído no mundo.

(Adaptado: BURGOS, P. Show do milhão: milho na comida agora vira combustível. Super Interessante. Edição 247, 15 dez. 2007, p. 33.)

De acordo com a crítica à “indústria cultural”, na sociedade capitalista avançada, a produção e a reprodução da cultura se realizam sob a égide da padronização e da racionalidade técnica.

No contexto dessa crítica, considerando o fast food como produto cultural, é correto afirmar:

  1. A padronização dos hábitos e valores alimentares obedece aos ditames da lógica material da sociedade industrializada.
  2. O consumo dos produtos da indústria do fast food e a satisfação dos novos hábitos alimentares contribuem com a emancipação humana.
  3. A homogeneização dos hábitos alimentares reflete a inserção crítica dos indivíduos na cultura de massa.
  4. A racionalidade técnica e a padronização dos valores alimentares permitem ampliar as condições de liberdade e de autonomia dos cidadãos.
  5. A massificação dos produtos alimentares sob os ditames do mercado corresponde à efetiva democratização da sociedade.