(Fuvest) No contexto maior do romance, sugere‐se que a tartufice
09. (Fuvest) TEXTO PARA A QUESTÃO
E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é naturalmente a mesma, – também ela comia bem, dormia largo e fofo, – coisas que, aliás, não impedem que uma pessoa ame, quando
[5] quer amar. Se esta última reflexão é o motivo secreto da vossa pergunta, deixai que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados.
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia
[10] chamou‐lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as novas amigas, e fazer‐lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o artigo que a mesma folha
[15] trouxe no número seguinte, nomeando, particularizando e glorificando as outras comissárias – “estrelas de primeira grandeza”.
Machado de Assis, Quincas Borba.
No excerto, o autor recorre à intertextualidade, dialogando com a comédia de Molière, Tartufo (1664), cuja personagem central é um impostor da fé. Tal é a fama da peça que o nome próprio se incorporou ao vocabulário, inclusive em português, como substantivo comum, para designar o “indivíduo hipócrita” ou o “falso devoto”.
No contexto maior do romance, sugere‐se que a tartufice
- se cola à imagem da leitora, indiscreta quanto aos amores alheios.
- é ação isolada de Sofia, arrivista social e benemérita fingida.
- diz respeito ao filósofo Quincas Borba, o que explica o título do livro.
- Se produz na imprensa, apesar de esta se esquivar da eloquência vazia.
- se estende à sociedade, na qual o cinismo é o trunfo dos fortes.
Resposta: E
Resolução: